Glossário de Psicologia

Termos e conceitos da psicologia clínica explicados de forma clara e acessível. Para quem quer entender melhor a própria saúde mental.

A

Análise Comportamental Clínica

Abordagem terapêutica

A Análise Comportamental Clínica (ACC) é uma abordagem psicoterapêutica baseada nos princípios da Análise do Comportamento aplicados ao contexto clínico. Diferente de modelos mais diretivos, a ACC propõe que o cliente tenha um papel ativo no processo terapêutico.

Na prática, terapeuta e cliente analisam juntos os pensamentos, sentimentos, emoções e comportamentos — buscando compreender os padrões que geram sofrimento e desenvolver formas mais funcionais de responder às situações da vida. O objetivo não é eliminar emoções difíceis, mas aprender a lidar com elas de forma mais flexível e eficaz.

Essa abordagem é a base do trabalho clínico da Valerio Psicologia, integrada a outras terapias comportamentais e contextuais.

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ACT — Terapia de Aceitação e Compromisso

Abordagem terapêutica

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT, do inglês Acceptance and Commitment Therapy) é uma abordagem de terceira geração da terapia cognitivo-comportamental. Seu foco não é eliminar pensamentos ou emoções dolorosos, mas mudar a relação que a pessoa tem com eles.

A ACT trabalha com seis processos centrais: aceitação, desfusão cognitiva, contato com o momento presente, eu como contexto, valores e ação comprometida. Em vez de lutar contra pensamentos difíceis, a pessoa aprende a observá-los sem que eles controlem seu comportamento.

É especialmente útil para ansiedade, depressão, dor crônica e situações em que a evitação experiencial — o ato de fugir de pensamentos e emoções desconfortáveis — está gerando sofrimento e limitando a vida.

Ansiedade

Condição clínica

A ansiedade é uma resposta emocional natural do organismo diante de situações percebidas como ameaçadoras ou incertas. Em doses adequadas, ela é adaptativa — nos prepara para agir, nos mantém alertas e nos ajuda a lidar com desafios. O problema surge quando ela se torna excessiva, persistente e desproporcional ao contexto.

Quando a ansiedade interfere de forma significativa na vida cotidiana — no trabalho, nos relacionamentos, no sono, no corpo — pode configurar um transtorno de ansiedade, que inclui formas como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), fobias específicas, transtorno de pânico, ansiedade social, entre outros.

A psicoterapia comportamental oferece ferramentas eficazes para o manejo da ansiedade, incluindo técnicas de exposição gradual, regulação emocional e reestruturação de padrões de pensamento e comportamento que alimentam o ciclo ansioso.

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Autoestima

Conceito em psicologia

Autoestima é a avaliação que uma pessoa faz de si mesma — o quanto se percebe como competente, digna de amor e respeito, e capaz de lidar com os desafios da vida. Não se trata de arrogância ou excesso de autoconfiança, mas de uma relação equilibrada e realista consigo mesma.

Uma autoestima saudável não significa ausência de autocrítica ou dúvidas. Significa ser capaz de reconhecer erros sem se destruir, valorizar conquistas sem minimizá-las e manter um sentido estável de valor pessoal mesmo diante de falhas ou rejeições.

Na psicoterapia comportamental, o trabalho com autoestima envolve identificar crenças rígidas sobre si mesmo, desenvolver autocompaixão e construir uma relação mais gentil e honesta com a própria história.

D

DBT — Terapia Comportamental Dialética

Abordagem terapêutica

A Terapia Comportamental Dialética (DBT, do inglês Dialectical Behavior Therapy) foi desenvolvida pela psicóloga Marsha Linehan na década de 1980, originalmente para tratar o Transtorno de Personalidade Borderline. Hoje, é amplamente utilizada para qualquer condição que envolva desregulação emocional intensa.

O termo "dialética" refere-se ao equilíbrio central da abordagem: a síntese entre aceitação e mudança. A pessoa aprende ao mesmo tempo a aceitar a si mesma como é — com toda a dor e dificuldade que carrega — e a comprometer-se com mudanças que tornem sua vida mais funcional e significativa.

A DBT trabalha com quatro módulos principais de habilidades: mindfulness (atenção plena), tolerância ao mal-estar, regulação emocional e efetividade interpessoal. É especialmente indicada para borderline, comportamentos autodestrutivos, transtornos alimentares e dificuldades intensas nos relacionamentos.

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Depressão

Condição clínica

A depressão é um transtorno do humor caracterizado por tristeza persistente, perda de interesse ou prazer em atividades antes significativas, alterações no sono e apetite, fadiga, dificuldade de concentração e, em casos mais graves, pensamentos de morte ou suicídio. Para ser considerada clínica, esses sintomas devem estar presentes por pelo menos duas semanas e interferir significativamente na vida cotidiana.

É importante distinguir a depressão clínica da tristeza comum. Sentir-se triste diante de perdas ou dificuldades é natural e esperado. A depressão, por outro lado, persiste independentemente das circunstâncias externas, e muitas vezes a pessoa não consegue identificar uma razão clara para se sentir tão mal.

Na perspectiva comportamental, o tratamento da depressão frequentemente envolve a Terapia de Ativação Comportamental — uma abordagem que trabalha a relação entre comportamento e humor, ajudando a pessoa a retomar gradualmente atividades significativas mesmo quando a motivação está ausente.

E

EPR — Exposição e Prevenção de Resposta

Técnica terapêutica

A Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) é a técnica com maior respaldo científico para o tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Consiste em expor a pessoa, de forma gradual e controlada, aos estímulos que desencadeiam obsessões — enquanto se abstém de realizar as compulsões que normalmente aliviariam a ansiedade.

A lógica da EPR baseia-se no processo de habituação: quando a pessoa enfrenta o que teme sem recorrer ao ritual compulsivo, o cérebro aprende que o perigo antecipado não se concretiza e que a ansiedade diminui naturalmente com o tempo — sem a necessidade da compulsão.

O processo é conduzido de forma cuidadosa e colaborativa, sempre respeitando o ritmo da pessoa. O terapeuta e o cliente constroem juntos uma hierarquia de situações temidas, começando pelas menos ansiogênicas e avançando progressivamente.

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M

Mindfulness — Atenção Plena

Conceito e prática

Mindfulness, traduzido frequentemente como "atenção plena", é a capacidade de prestar atenção ao momento presente de forma intencional e sem julgamento. Envolve observar pensamentos, emoções e sensações corporais como eles são — sem tentar eliminá-los, modificá-los ou se perder neles.

No contexto terapêutico, mindfulness é uma habilidade central em diversas abordagens, especialmente na DBT e na ACT. Não se trata de "esvaziar a mente" ou alcançar um estado de tranquilidade perfeita, mas de desenvolver uma relação diferente com a experiência interna — mais observadora e menos reativa.

Pesquisas robustas demonstram a eficácia do mindfulness na redução de sintomas de ansiedade, depressão e estresse, além de melhorar a regulação emocional e o bem-estar geral.

P

Psicologia Baseada em Evidências

Conceito profissional

A Psicologia Baseada em Evidências (PBE) é uma abordagem que orienta a prática clínica a partir da melhor evidência científica disponível, integrada à expertise do profissional e às preferências e valores do cliente. O conceito foi adaptado da medicina baseada em evidências e tornou-se um padrão de qualidade na psicologia contemporânea.

Na prática, isso significa que o psicólogo utiliza técnicas e intervenções cujos resultados foram testados e validados por pesquisas científicas rigorosas — em vez de basear o trabalho apenas em intuição, tradição ou modismos terapêuticos.

Isso não significa rigidez ou desconsideração pela singularidade de cada pessoa. Pelo contrário — a PBE exige que o profissional saiba adaptar o que a ciência indica às necessidades específicas, à história e ao contexto de cada cliente.

Psicoterapia

Modalidade de tratamento

Psicoterapia é um tratamento baseado em conversas entre um profissional de saúde mental habilitado e uma pessoa que busca ajuda para lidar com sofrimento emocional, dificuldades psicológicas ou questões de vida. Diferente de uma conversa comum, a psicoterapia segue princípios técnicos, éticos e científicos — e ocorre dentro de um contrato claro entre terapeuta e cliente.

Existem diversas abordagens psicoterapêuticas — cada uma com fundamentos teóricos, técnicas e indicações específicas. Entre as mais estudadas e com maior respaldo científico estão as terapias comportamentais e cognitivas, que incluem a TCC, a DBT, a ACT e a Análise Comportamental Clínica.

A psicoterapia não é exclusiva para crises ou diagnósticos graves. Pessoas que buscam autoconhecimento, que querem lidar melhor com relacionamentos, que estão em momentos de transição de vida ou que simplesmente querem viver com mais bem-estar também podem se beneficiar enormemente do processo terapêutico.

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R

Regulação Emocional

Habilidade terapêutica

Regulação emocional é a capacidade de reconhecer, compreender e influenciar as próprias emoções — sua intensidade, duração e expressão — de forma adaptativa. Não significa suprimir ou controlar emoções, mas saber o que fazer com elas de forma que não prejudique a si mesmo ou as relações.

Pessoas com dificuldades de regulação emocional podem experimentar emoções muito intensas, com mudanças rápidas de humor, dificuldade para se acalmar após situações estressantes e tendência a agir de forma impulsiva quando emocionalmente ativadas.

A regulação emocional é um dos quatro módulos centrais da DBT e também está presente em outras abordagens terapêuticas. As habilidades trabalhadas incluem identificar e nomear emoções, reduzir a vulnerabilidade emocional, aumentar emoções positivas e agir de forma oposta às emoções disfuncionais.

S

Sigilo Profissional

Ética profissional

O sigilo profissional é um dos pilares inegociáveis da relação terapêutica. Tudo o que é compartilhado nas sessões de psicoterapia permanece confidencial — garantido pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo (Resolução CFP nº 10/2005, Art. 9º e 10).

Isso significa que o psicólogo não pode revelar informações sobre o cliente a familiares, empregadores, planos de saúde ou qualquer outra pessoa, sem a autorização expressa do próprio cliente. O sigilo é um direito do cliente e uma obrigação ética do profissional.

As únicas exceções previstas em lei ocorrem em situações de risco iminente à vida — do próprio cliente ou de terceiros. Fora dessas situações específicas e previstas legalmente, a confidencialidade é absoluta.

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T

TOC — Transtorno Obsessivo-Compulsivo

Condição clínica

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é caracterizado pela presença de obsessões — pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos, recorrentes e indesejados — e compulsões — comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados para neutralizar a ansiedade gerada pelas obsessões. O ciclo obsessão-compulsão pode consumir horas do dia e causar sofrimento significativo.

As obsessões mais comuns envolvem medo de contaminação, dúvidas excessivas, necessidade de simetria ou ordem, e pensamentos intrusivos de conteúdo agressivo, sexual ou religioso. As compulsões incluem lavagem das mãos, verificações repetidas, organização excessiva e rituais mentais como contar ou rezar.

É importante destacar que ter pensamentos intrusivos ocasionais é normal — o que caracteriza o TOC é a intensidade, a frequência, o sofrimento associado e o impacto na vida cotidiana. O tratamento de primeira linha é a Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), com ou sem medicação.

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Transtorno de Personalidade Borderline

Condição clínica

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), também chamado de Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável, é caracterizado por instabilidade intensa nas emoções, nos relacionamentos, na autoimagem e no comportamento. A pessoa com TPB frequentemente experimenta emoções avassaladoras, dificuldade em regular essas emoções e medo intenso de abandono — real ou imaginado.

Entre os critérios diagnósticos estão: relacionamentos instáveis e intensos que alternam entre idealização e desvalorização, impulsividade em áreas potencialmente prejudiciais, comportamentos autodestrutivos ou suicidas, instabilidade afetiva, sensação crônica de vazio e dificuldade em controlar a raiva.

O TPB é frequentemente mal compreendido e estigmatizado — inclusive dentro da própria área da saúde. É importante saber que é uma condição tratável. A Terapia Comportamental Dialética (DBT) foi desenvolvida especificamente para esse transtorno e tem robusta evidência científica de eficácia.

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Tricotilomania

Condição clínica

A Tricotilomania é um transtorno caracterizado pelo impulso recorrente de arrancar os próprios cabelos — do couro cabeludo, sobrancelhas, cílios ou outras partes do corpo — resultando em perda capilar perceptível. O comportamento gera alívio temporário de tensão ou prazer, seguido frequentemente de vergonha, culpa e sofrimento.

Faz parte do espectro obsessivo-compulsivo, junto com o Transtorno de Escoriação (skin picking). Muitas pessoas vivem anos com o comportamento sem saber que se trata de uma condição reconhecida e tratável — o que frequentemente leva ao isolamento e à baixa autoestima.

O tratamento psicológico inclui técnicas de reversão de hábito (HRT), treinamento de consciência e estratégias comportamentais específicas para interromper o ciclo do comportamento repetitivo. A Evelize tem experiência clínica e de pesquisa com essa condição, tendo atuado no Ambulatório de Transtornos do Impulso do IPq-HC-FMUSP.

TSU — Terapia de Sessão Única

Modalidade terapêutica

A Terapia de Sessão Única (TSU), conhecida internacionalmente como Single Session Therapy (SST), é uma modalidade terapêutica em que uma única sessão — com duração de 1h30 — é utilizada para trabalhar um problema ou questão específica de forma focada e intencional.

Desenvolvida pelo psicólogo Moshe Talmon na década de 1980, a TSU parte da premissa de que uma sessão bem conduzida pode ser suficiente para gerar mudanças significativas na vida de uma pessoa. Isso não significa que a terapia seja superficial — pelo contrário, a sessão é cuidadosamente estruturada para ser o mais eficaz possível dentro daquele encontro único.

É especialmente indicada para questões emocionais pontuais, tomada de decisões importantes, pessoas que querem experimentar a terapia antes de se comprometer com um processo contínuo, ou quem já está em terapia e precisa de uma perspectiva complementar.

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V

Vínculo Terapêutico

Conceito clínico

O vínculo terapêutico — também chamado de aliança terapêutica — é a relação de confiança, colaboração e conexão que se estabelece entre terapeuta e cliente ao longo do processo psicoterapêutico. É um dos fatores que mais consistentemente predizem resultados positivos na terapia, independentemente da abordagem utilizada.

Uma boa aliança terapêutica envolve três elementos: acordo sobre os objetivos do tratamento, acordo sobre as tarefas e métodos utilizados, e o vínculo emocional positivo entre as partes. A pessoa precisa sentir que é ouvida, compreendida e respeitada — e que está trabalhando em parceria com o terapeuta, não sendo apenas objeto de intervenção.

A construção de um vínculo genuíno é possível também no contexto online, como demonstram pesquisas e a prática clínica. O formato da videochamada não impede a formação de uma relação terapêutica significativa e eficaz.